Alguns supermercados começam a trocar embalagens recicláveis por cupons de desconto. Vale a pena?
Elas se parecem com aquelas que vendem refrigerante. Em vez de expelir Coca-Cola em troca de dinheiro, recolhem materiais para ser reciclados e emitem cupons de desconto. As máquinas aceitam embalagens com formato cilíndrico (como garrafas e latinhas) de plástico, vidro ou alumínio. Quem contrata o serviço são empresas interessadas em reciclar parte do lixo que produzem. Desde o ano passado, sete máquinas estão em supermercados de Jundiaí, em São Paulo. Faz parte do projeto-piloto, apoiado pela Schincariol. Quem leva o lixo ganha uma garrafa de água mineral da marca na compra de três. Agora, Von Gal e Kurc se preparam para trazer as máquinas para a cidade de São Paulo.
A dupla da Susten Trading negocia com fabricantes de bebidas. Cada embalagem pode
render R$ 0,03 de desconto na compra de produtos da empresa patrocinadora da máquina. Além de marketing, isso deverá virar obrigação legal para as empresas. Segundo a nova lei de resíduos sólidos, elas deverão criar mecanismos para recolher parte do lixo que seus produtos geram.
Hoje, o consumidor que quiser cuidar do lixo que produz tem três alternativas: a coleta seletiva da prefeitura (disponível em poucos lugares), os pontos de coleta privados e os catadores de lixo. Soluções como a criada por Von Gal e Kurc permitem que o consumidor ajude na reciclagem. A participação do consumidor tem duas vantagens. A primeira é servir de alternativa para o modelo de coleta atual, baseado nos catadores. Estima-se que 800 mil pessoas trabalhem nessa atividade. Mas ela deixará de ser atraente se as condições sociais do país continuarem melhorando. À medida que a economia no Brasil avança, a tendência é que esses trabalhadores sejam integrados à reciclagem de outras formas ou encontrem oportunidades melhores de trabalho em outras áreas. “O catador de lixo da forma precária e desumana como é hoje vai acabar”, diz Carlos Silva Filho, diretor executivo da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).
A segunda vantagem é que, para o consumidor, vale a pena trocar por bônus mesmo embalagens de plástico leves, como garrafas PET, que nem sempre compensam para os catadores. “É comum o catador largar esse material na calçada, o que cria outro problema para a limpeza pública”, diz Silva Filho. “Eles dão preferência para o que tem maior valor por quilo.” Isso explica por que 99% das latinhas de alumínio são recicladas no Brasil, mas só 7% do lixo ganhe nova utilidade. Até os anos 1990, era comum levar os cascos de cerveja e refrigerante para as lojas. Pelo visto, o casco retornável retornou.
Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Vida-util/noticia/2011/09/esta-maquina-transforma-lixo-em-dinheiro.html
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